domingo, 24 de abril de 2016

Onde está Deus

Onde está Deus?  Pergunta o cientista, Ninguém O viu jamais. 

Quem Ele é?  Responde às pressas o materialista:  - Deus é somente uma invenção da  fé! 

O pensador dirá, sensatamente: - Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe!  A natureza mostra claramente em que o poder do Criador consiste. 

Mas o poeta dirá, com segurança de quem afirma porque tem certeza: 
- Eu vejo Deus no riso da criança, no céu, no mar, na luz da natureza! 

Contemplo Deus brilhando nas estrelas, no olhar das mães fitando os filhos seus, nas noites de luar claras e belas, em tudo pulsar o coração de Deus! 

Eu vejo Deus nas flores e nos prados, nos astros a rolar pelo infinito, escuto Deus na voz dos namorados, E sinto Deus na lágrima do aflito! 

Percebo Deus na frase que perdoa, contemplo Deus na mão que acaricia, Escuto Deus na criatura boa e sinto Deus na paz e na alegria! 

Eu vejo Deus no médico salvando, pressinto Deus na dor que nos irmana, descubro Deus no sábio procurando compreender a natureza humana! 

Eu vejo Deus no gesto de bondade, escuto Deus nos cânticos do crente, percebo Deus no sol, na liberdade e vejo Deus na planta e na semente! 

Eu vejo Deus, enfim, por toda parte, que tudo fala dos poderes seus, descubro Deus na expressão da arte, no amor dos homens também sinto Deus! 


Mas onde sinto Deus com mais beleza, na sua mais sublime vibração, não é no coração da natureza, é dentro do meu próprio coração.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

21 De Abril- Tiradentes

O MARTÍRIO DE TIRADENTES:  UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. 

Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar o Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. 

Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.

A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. 

Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-Dentes. 

Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. 

Tiradentes foi iniciado na Maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, Maçonaria e a Inconfidência Mineira:

Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. 

Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da Maçonaria". E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. 

Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possível comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas Quae Sera Tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas, I, 27).

Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1789, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. 

Em 21 de abril de 1792, com ajuda de irmãos da Maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela Maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos.

No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa:

Em 1969, o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença da galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. 

Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. 

Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro do ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. 

Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818.

Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da Nação Brasileira.

Guilhobel Aurélio Camargo

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Tipos de Lojas

LOJA - a que conhecemos e onde fomos iniciados. É um grupo de maçons reunidos, onde desenvolvemos um Ritual de forma litúrgica.

LOJA de ADOÇÃO - nome dado às Lojas mistas surgidas na França, permitindo o ingresso de mulheres em 1.772

LOJA à DESCOBERTO - é quando os membros de uma Loja regular, por qualquer motivo, não podem se reunir em um templo, o farão em qualquer local, mesmo à céu aberto. Nesse caso somente assuntos administrativos poderão ser tratados.

LOJA ADORMECIDA - É quando a Loja está “dormindo” e seus trabalhos suspensos por um período que ultrapasse o convencional inserido em seus estatutos.

LOJA de EMERGÊNCIA - Um Grão Mestre tem o poder, de em caso emergência, constituir uma Loja e chamar os obreiros para os trabalhos regulares.

LOJA MÃE – diz-se assim quando ocorrem duas circunstâncias distintas: será Loja Mãe aquela que devido ao grande número de filiados, tem necessidade de formar outro corpo; a nova Loja terá, naquela que lhe deu origem sua Loja Mãe. Também se chama Loja Mãe, aquele que o iniciou como maçom.

LOJA MILITAR - Surgiram na Inglaterra, e abrigavam exclusivamente Oficiais do Exército e da Marinha. Os navios ingleses, em sua maioria, estabeleciam essas Loja Militares. A França e outros países, também passaram a criar suas Lojas militares.

LOJA OCASIONAL - é criada exclusivamente para iniciar novos maçons. Somente o Grão Mestre tem o Poder de estabelecer esse tipo de Loja. Concluída a cerimônia, e geralmente Sete iniciados, esses, por sua vez, fundam uma nova Loja e a Loja Ocasional é dissolvida.

LOJA PROVISÓRIA - nenhuma Loja pode ser Provisória; o que é provisória e a autorização para seu funcionamento. Assim a Obediência, não expede a Carta Constitutiva definitiva, antes de comprovar a sua capacidade com os regulamentos no trabalhos. A Carta Constitutiva será dada após um ano de atividade regular.

Rizzardo da Camino

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Posição do Esquadro e do Compasso sobre o Livro da Lei




Aprendiz:
O Compasso sob o Esquadro significam que o Aprendiz, trabalhando, na Ped:. Br:., não pode fazer uso daqueles instrumentos enquanto a obra não estiver perfeitamente concluída.








Companheiro:
Esquadro e Compasso já fazem parte do ferramental do Companheiro. Por isso mesmo, em Loja, Esquadro e Compasso são dispostos 
entrelaçados.








Mestre:
O Compasso sobre o Esquadro significa que o Maçom neste grau, tem absoluto domínio no uso de todas as ferramentas aplicáveis à construção doTemplo.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Rito de Memphis-Misraïm

Antes de 1721, quando foi citado pela primeira vez, Narbonne disse: " Ele era o herdeiro de duas escolas do passado Egípcio e Rosacruciano. Egípcio pelo Colégio dos Arquitetos Africanos "(feita aqui, no sentido de Egípcia) e Rosacruciano pelos" Irmãos do Rose-Croix d'Or "ou da Ásia que na realidade, eram os originais "Sancti Evangelistae Johannis".

O Rito tinha praticamente desaparecido em 1779 quando foi restabelecido pelo Marquês de Chefdebien decalcado sobre o Rito de Philalèthes, tendo tomado o nome do Primitivo Rito Philalèthes ou Primitivo Rito de Narbonne.  Em 1798, oficiais do exército de Bonaparte, todos membros do Grande Oriente da França e discípulos do Rito de Narbonne, numa missão no Egito tomaram contato com os iniciados do Sufismo bem como da Faculdades Druze no Líbano. Decidiram então, renunciar a filiação da Grande Loja Unida da Inglaterra e abraçam a criação de um novo Rito. Assim nasceu a loja "Os Discípulos de Memphis", no Cairo, na sequência da tradição do Rito de Narbonne. Samuel Honis, iniciou esta loja, retornou a França em 1814 e instalou em Montauban, em 23 de maio de 1815 uma subsidiária da loja "Discipulos de Memphis", que passa a ser a Grande Loja de Memphis. 

21 de Janeiro de 1816: "Marconis de Nigro" foi eleito Grande Hierofante. 23 de Março de 1838: Criação em Paris da loja "OSIRIS". 21 de Maio de 1838: Criação em Bruxelas da loja "BIENFAISANCE". 17 de Junho de 1841: Proibição e policiamento pelo prefeito de Paris na seqüência de uma denúncia realizada por um Republicano. 5 de Março de 1848: Autorização para retomar os trabalhos. Grandes Lojas Nacionais então liquidadas em diferentes países, incluindo a Roménia, os Estados Unidos da América, Egito, Austrália, Inglaterra. 

O Rito de Misraïm reaparece, em Veneza, em 1788. Um grupo de Socinians (seita protestante anti-trinitária) recebeu uma patente de Cagliostro. Deram os primeiros três graus da Maçonaria e os altos graus da Maçonaria Templária Alemã. O Rito apareceu rapidamente na Itália na França com os irmãos Bédarride que, a partir de 1810 a 1813, desenvolveram este Rito com sucesso, sob a proteção do Rito Escocês. O rito de Misraïm traçou laços estreitos com os Carbonarios, tornando-se um terreno fértil de refúgios. Cerca de cinquenta lojas foram criadas nos Países Baixos, França, Suíça.

Em 1818, deu-se a publicação em Bruxelas do Estatuto Geral da Ordem de Misraïm para os Países Baixos. Ela já existia em outros lugares, incluindo Antuérpia, Mons, Kortrijk e Bruxelas. Em 1829, o Rito é introduzido na Escócia e na Irlanda. Em 1822, O Rito foi denunciado `a polícia como "inimigo do estado, do altar e do Trono", mas a polícia não pôde proibi-lo. Em 18 de Janeiro de 1823, numa investigação a Brother Vehrnes em Montpellier, encontraram-se documentos anti-clericais e o Rito é proibido. Irá retomar as suas atividades em 1838, mas é novamente proibido 1841 e, finalmente, restaurado em 1848. Pouco tempo após a instalação do Rito na Inglaterra (Junho 1872), a Grande Loja de Memphis Misraïm nomeia Garibaldi membro honorário e imediatamente são estabelecidas as relações com o Conselho Supremo da Sicília do Rito Escocês e com o Grande Oriente do Egito.

Em 26 de Outubro de 1876, o Grande Oriente do Egito (Rito de Memphis) dá ao Ilustre Irmão Garibaldi o título de Grande Mestre "vitae". Foi sob o seu Grão-Mestrado, em 1881, depois de muita discussão, que os Ritos de Memphis e Misraïm, foram fundidos. A fusão foi formalizada em Nápoles, em 1899, e tomou o nome de "Antigo Rito Oriental e Primitivo Memphis-Misraïm." Garibaldi foi muitas vezes referido como "verdadeiro cidadão do Mundo" e definido como "Cavaleiro da Humanidade". Foi um grande sonho: Ele preconizou unidade entre os homens e estava convencido da necessidade de combater "para a Humanidade e para liberdade em geral." Adversário irredutível da Igreja Romana, chamou a separação entre a Igreja e o Estado. Queria introduzir o ensino obrigatório, gratuito e laico removendo congregações religiosas, mas recusou o ateísmo, a indiferença e o "materialismo miserável". Victor Hugo escreveu: "Garibaldi, qual Garibaldi? Ele é um homem, nada mais. Mas um homem na plena acepção da palavra sublime. Um homem de liberdade, um homem da humanidade ".

Em 1925, como resultado da situação política e da atitude do governo fascista, o Rito "vai descansar" na Itália. Durante a guerra 40-45, o Serenissimo Grão-Mestre Robert Ambelain honra, por continuar a trabalhar clandestinamente em sua casa a loja "Alexandria do Egito" durante toda a guerra. Tal como as outras Obediências, a Ordem de Memphis-Misraïm também teve de pagar o seu tributo. Assim, em particular, em 26 de março de 1944, Constant Chevillon, Grão-Mestre de França, foi assassinado com uma metralhadora pela milícia Vichy. Em 20 de Abril de 1945, Frei Jorge Delaive, Grão-Mestre da Bélgica, morre decapitado com um machado, no pátio da prisão Brunswick. Outros Maçons também morreram nos campos, vítimas dos seus ideais maçónicos e do seu patriotismo. Graças a estes Ilustres Maçons,  o Rito de Memphis-Misraïm continuou a sua tradição de lealdade para com os princípios de fraternidade e de iniciação científica.

Atualmente, o Rito está presente em várias Países, incluindo França, Bélgica, Inglaterra, Suíça, Itália, Espanha, Portugal, Canadá e E.U.A., as Caraíbas, Brasil, Argentina e Chile, para além de vários países de África, do Oceano Índico e da Austrália.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Os Essênios

"Não pagarei homem algum com o mal. Persegui-lo-ei com a bondade, pois que o julgamento de todos os vivos cabe a Deus, e é Ele quem irá entregar ao homem  seu prêmio."   (do "Hino ao Preceito da Comunidade)

Segundo os Manuais de Disciplina dos Essênios, eles eram originários do Egito, e durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C., formaram um pequeno grupo de judeus que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver `as margens do Mar Morto. Vivendo em comunidades distantes, sempre procuravam encontrar na solidão do deserto, o lugar ideal para desenvolver a espiritualidade e estabelecer a vida comunitária, onde a partilha dos bens era a regra. 

Um pouco antes de um ataque romano destruir o Monastério de Qumran, junto ao Mar Morto, os Essênios esconderam seus manuscritos em potes de cerâmica e os enterraram em cavernas, nas montanhas. Em abril de 1947 foi encontrado, numa caverna, o primeiro documento. Estavavam escondidos em 11 cavernas, centenas de pergaminhos que datam do terceiro século antes de Cristo, até o ano 68 depois de Cristo. Num total de quase mil encontrados, ficaram conhecidos como "Manuscritos do Mar Morto" e foram escritos em três idiomas diferentes: Hebreu, Aramaico e Grego.

Eles incluíam manuais de disciplinas, hinários, comentários bíblicos, escritos apocalípticos, cópias do livro de Isaías e quase todos os livros do Antigo Testamento, exceto o de Ester. Muitos destes manuscritos estão guardados no Museu do livro em Israel, e em Universidades nos Estados Unidos, França e Inglaterra. Foram preservados por quase dois mil anos e são considerados "o achado do século" De acordo com os "Manuscritos do Mar Morto", alguns costumes dos Essênios e alguns textos antigos, nos dizem sobre o curandeirismo, a reencarnação, a divisão das colheitas, o povo no poder, o vegetarianismo e a relação pacífica dos homens com os animais.

A mais espantosa revelação dos pergaminhos, até agora publicada, é a de que possuíam, muitos anos antes de Cristo, práticas e terminologias consideradas exclusivas dos cristãos.  Acreditavam na redenção e na imortalidade da alma. Tinham a prática do batismo, e compartilhavam um repasto litúrgico de pão e vinho, presidido por um sacerdote que era seu lider principal e chamado - Instrutor da Retidão (ou da Justiça)- um profeta-messiânico, abençoado com a revelação divina. Procuravam servir a Deus, auxiliando o próximo, sem imolações no altar e sem cultuar imagens.

Eram uma seita aberta aos necessitados e desamparados, mantendo inúmeras atividades onde a acolhida, o tratamento de doentes e a instrução dos jovens eram os seus objetivos principais. Rompendo com o conceito da propriedade individual, acreditavam ser possíivel implantar na Terra, a verdadeira igualdade e fraternidade entre os homens.

Em sua sociedade livre não havia escravos, porque consideravam a escravidão um ultraje `a missão que Deus deu aos homens. Todos os membros da seita trabalhavam para si e nas tarefas comuns, se sustentando do que produziam, sempre desempenhando atividades profissionais que não envolvessem a destruição ou a violência. Possuíam moralidade exemplar através de costumes corretos e pacíficos.  Dedicavam-se ao estudo espiritualista, `a contemplação e a caridade, ao contrário do materialismo vigente na época.

Para ser um deles, o pretendente era preparado desde a infância na vida comunitária de suas aldeias isoladas. Já adulto, o adepto após cumprir várias etapas de aprendizado, recebia uma missão definida que ele deveria cumprir até o fim de sua vida. Em seus ensinos, seguindo o método das Escolas Iniciáticas, submetiam os discípulos a rituais de iniciação, e conforme adquiriam mais conhecimentos, passavam para graus mais avançados. Mostravam então, tanto na teoria como na prática, as leis superiores do Universo e da Vida, esquecidas na época. É sabido também que liam textos e estudavam outras doutrinas.

Para medir o tempo utilizavam um calendário diferenciado, inspirado em um calendário egípcio baseado no Sol, diferente do utilizado na época pelos judeus que era de 354 dias. Seu calendário continha 364 dias que eram divididos em 52 semanas, permitindo que cada estação do ano fosse dividida em 13 semanas e mais um dia, unindo cada uma delas. Consideravam seu calendário sintonizado com a "Lei da Grande Luz do Céu". O primeiro dia do ano e o de cada estação sempre caiam no mesmo dia da semana (quarta feira) já que de acordo com a Gênesis, foi no quarto dia que a Lua e o Sol foram criados.

Acordavam antes do nascer do sol. Permaneciam em silencio e faziam suas preces até o momento em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um. Trabalhavam durante 5 horas em atividades como o cultivo de vegetais ou o estudo das Escrituras. Passuiam pomares e hortos irrigados pela água da chuva, que era recolhida e armazenada em enormes cisternas. 

As refeições eram frugais, com legumes, azeitonas, figos, tâmaras e, principalmente, um tipo muito rústico de pão, feito com muito pouco fermento. Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela alimentação, pelo físico e higiene pessoal. Banhavam-se duas vezes ao dia, sempre antes das refeições, acreditando que purificava o corpo e a alma. O ritual consistia em relatar todas as faltas e então, submergir. Essa prática influenciou o batismo e a confissão dos cristãos. Terminadas as tarefas, banhavam-se em água fria e vestiam túnicas brancas. Comiam uma refeição em absoluto silêncio só quebrado pelas oracões recitadas pelo sacerdote, no início e no fim. Retiravam então a túnica branca, considerada sagrada, e retornavam ao trabalho até o por-do-sol. Tomavam outro banho e jantavam com a mesma cerimônia. 

O silêncio era prezado por eles. Sabiam guardá-lo, evitando discussões em público e assuntos sobre religião. Para um Essênio, a voz possuía um grande poder e, com diferentes entonações, era capaz até de curar um doente. Tinham para com o solo uma relação de respeito. Um dos rituais comuns deles consistia em cavar um buraco de cerca de 30 centímetros de profundidade em um lugar isolado dentro do qual se enterravam para relaxar e meditar.

Eram excelentes médicos também e tornaram-se famosos pelo conhecimento e uso das ervas, entregando-se abertamente ao exercício da medicina ocultista. Foram fundadores dos abrigos denominados "beth-saida", que tinham como tarefa cuidar de doentes e desabrigados em épocas de epidemia e fome.Os beth-saida anteciparam em séculos os hospitais, instituição que tem seu nome derivado de hospitaleiros, denominação de um ramo essênio voltado para a prestação de socorro `as pessoas doentes. Por suas vestes brancas, pela capacidade de predizer o futuro e pela leitura do destino através da linguagem dos astros, tornaram-se "figuras magnéticas", conhecidas em sua época, como "aqueles que são do caminho". 


Alguns estudiosos afirmam que foi entre os Essênios, que Jesus passou o período entre os 13 e 30 anos, embora não tenha sido encontrado algum escrito que comprove. A postura messiânica de Jesus era muito próxima `a dos Essênios.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A Alquimia

A origem da alquimia se perde no tempo, sendo mais antiga do que a história da humanidade. Seu verdadeiro início é desconhecido e envolto em obscuridade e mistério. Assim, seu surgimento confunde-se com a origem e evolução do homem sobre a Terra. 
A utilização e o controle do fogo separou o animal irracional do ser humano. Nos primórdios, não se produzia o fogo, porém ele era controlado e utilizado para aquecer, iluminar, assar alimentos, além de servir para manejar alguns materiais, como a madeira.  Bem mais tarde conseguiu-se produzir e manufaturar materiais com metal, a partir de metais encontrados na forma livre e posteriormente partindo dos minérios.

Muitos associam a origem da alquimia a herança de conhecimentos de uma antiga civilização que teria sido extinta. Na Terra, já teriam existido inúmeras outras civilizações em diversas épocas remotas, dentre elas várias eram mais evoluídas que a nossa. 
Estas civilizações tiveram uma existência cíclica, com o nascimento, desenvolvimento e morte ocorrida provavelmente por meio de grandes catástrofes, como a queda de um grande meteoro, inundações, erupções vulcânicas, dentre outras que acabavam por reduzir grandes civilizações a um número ínfimo de sobreviventes ou mesmo por dizimá-las, fazendo com que uma nova civilização brotasse das cinzas. Os conhecimentos sobre a alquimia estariam impregnados no inconsciente coletivo de todas as civilizações até hoje ou poderiam ter sido transmitidos pelos poucos sobreviventes, desta maneira a alquimia teria resistido ao tempo.

Os textos chineses antigos se referem as "ilhas dos bem-aventurados" que eram habitadas por imortais. Acreditava- se que ervas contidas nestas três ilhas após sofrerem um preparo poderiam produzir a juventude eterna, seria como o elixir da longa vida da alquimia. No ocidente, o Egito é considerado o criador da alquimia. O próprio nome é de origem árabe (Al corresponde ao artigo o), com raiz grega (elkimyâ). Kimyâ deriva de Khen (ou chem), que significa "o país negro", nome dado ao Egito na antiguidade. Outros acham que se relaciona ao vocábulo grego derivado de chyma, que se relaciona com a fundição de metais.

Os alquimistas relacionam a sua origem ao deus egípcio Tote, que os gregos chamavam de Hermes (Hermes Trismegisto). Alguns alquimistas o consideravam como um rei antigo que realmente teria existido, sendo o primeiro sábio e inventor das ciências e do alfabeto. Por causa de Hermes a alquimia também ficou conhecida como arte hermética ou ciência hermética.

Os relatos mais remotos de doutrinas que utilizavam os preceitos alquímicos, remontam de uma lenda que menciona o seu uso pelos chineses em 4.500 a.C. Ao que parece ela teria aflorado do taoísmo clássico (Tao Chia) e do taoísmo popular, religioso e mágico (Tao Chiao). Porém os textos alquímicos começaram a surgir na dinastia T'ang, por volta de 600 a.C. Na China, o mais famoso alquimista foi Ko Hung (cujo nome verdadeiro era Pao Pu-tzu, viveu de 249- 330 d.C.) que acreditava que com a alquimia poderia superar a mortalidade. Atribui-se a ele a autoria de mais de cem livros sobre o assunto, dos quais o mais famoso é "O Mestre que Preserva sua Simplicidade Primitiva".
Teria aprendido a alquimia por volta de 220 d.C com Tso Tzu. O tratado de Ko Hung, além da alquimia trata também da ciência da alma e das ciências naturais. Sua obra trata tanto do elixir da longa vida bem como da transmutação dos metais. Até então a alquimia chinesa era puramente espiritual e foi Ko Hung que introduziu o materialismo, provavelmente devido a influências externas. Ela foi influenciada também pelo I Ching "O livro das Mutações". Posteriormente seguiu a escola dos cinco elementos, que mesmo assim permaneceu quase que completamente mental-espiritual.

Na China a alquimia também ficou vinculada à preparação artificial do cinábrio (minério do qual se extraía o mercúrio - sulfeto de mercúrio), que era considerado uma substância talismânica associada a manutenção da saúde e a imortalidade. A metalurgia, principalmente o ato da fundição, era um trabalho que deveria ser realizado por homens puros conhecedores dos ritos e do ofício. A transformação espiritual era simbolizada pelo "novo nascimento", associada a obtenção do metal a partir do minério (cinábrio e mercúrio).
A filosofia hindu de 1000 a.C. apresentava algumas semelhanças com a alquimia chinesa, como por exemplo o soma cujo conceito assemelhava-se ao do elixir da longa vida. 

No Egito a alquimia teria surgido no século III d.C. e demonstrava uma influência do sistema filosófico-religioso da época helenística misturando conhecimentos médicos com metalúrgicos. A cidade de Alexandria era o reduto dos alquimistas. O alquimista grego mais famoso foi Zózimo (século IV), que nasceu em Panópolis e viveu em Alexandria, escreveu uma grande quantidade de obras. Nesta época, várias mulheres dedicavam-se a alquimia, como por exemplo Maria, a judia, que inventou um banho térmico com água muito utilizado nos laboratórios atualmente, o "banho-maria", Kleopatra que possivelmente não seria a Rainha Cleópatra, Copta e Teosébia. Os persas conheciam a medicina, magia e alquimia. A alquimia possuía um pouco da imagem da população de Alexandria, era uma mistura das práticas helenísticas, caldaicas, egípcias e judaicas.

Alexandre "o Grande" foi quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e posteriormente aos Árabes. Os árabes, sob a influência dos egípcios e chineses, trouxeram a alquimia para o ocidente ao redor do ano de 950, inicialmente para a Espanha. Construíram-se escolas e bibliotecas que atraiam inúmeros estudiosos. Conta-se que o primeiro europeu a conhecer a alquimia foi o teólogo e matemático monge Gerbert que mais tarde tornou-se papa, no período de 999/1003, com o nome de Silvestre II. 

Na Itália Miguel Scott, astrólogo, escreveu uma obra intitulada De Secretis em que a alquimia estava constantemente presente. No século X, a alquimia chinesa renunciou a preparação de ouro e se concentrou mais na parte espiritual. Ao invés de fazerem operações alquímicas com metais, a maioria dos alquimistas realizavam experimentos diretamente sobre seu corpo e espírito. Esta retomada a uma ciência espiritual teve como ponto culminante no século XIII com o taoísmo budaizante, com as práticas da escola Zen.


A alquimia deixou muitas contribuições para a química, como subproduto de seus estudos, dentre eles podemos citar: a pólvora, a porcelana, vários ácidos (ácido sulfúrico), gases (cloro), metais (antimônio), técnicas físico- químicas (destilação, precipitação e sublimação), além de vários equipamentos de laboratório. Na China produzia- se alumínio no século II e a eletricidade era conhecida pelos alquimistas de Bagdad desde o século II a.C.