segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Nosso Infinito




Há ou não um infinito fora de nós? É ou não único, imanente, permanente, esse infinito; necessariamente substancial pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a matéria, limitar-se-ia àquilo; necessáriamente inteligente, pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a inteligência, acabaria ali? Desperta ou não em nós esse infinito a ideia de essência, ao passo que nós não podemos atribuir a nós mesmos senão a ideia de existência? Por outras palavras, não é ele o Absoluto, cujo relativo somos nós?

Ao mesmo tempo que fora de nós há um infinito não há outro dentro de nós? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) não se sobrepõem um ao outro? Não é o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? Não é o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo concêntrico a outro abismo? Este segundo infinito não é também inteligente? Não pensa? Não ama? Não tem vontade? Se os dois infinitos são inteligentes, cada um deles tem um princípio volante, há um eu no infinito de cima, do mesmo modo que o há no infinito de baixo. O eu de baixo é a alma; o eu de cima é Deus. Pôr o infinito de baixo em contato com o infinito de cima, por meio do pensamento, é o que se chama orar.

Não tiremos nada ao espírito humano; é mau suprimir. O que devemos é reformar e transformar. Certas faculdades do homem dirigem-se para o Incógnito, o pensamento, a meditação, a oração. O Incógnito é um oceano. Que é a consciência? É a bússola do Incógnito. O pensamento, a meditação, a oração são tudo grandes irradiações misteriosas. Respeitemo-las. Para onde vão essas majestosas irradiações da alma? Para a sombra, quer dizer, para a luz. A grandeza da democracia consiste em não negar, nem renegar nada da humanidade. Ao pé do direito do homem, pelo menos ao lado, há o direito da alma.

A lei é esmagar os fanatismos e venerar o infinito. Não nos limitemos a prostrar-nos debaixo da árvore da Criação e a contemplar os seus imensos ramos cheios de astros. Temos um dever: trabalhar para a alma humana, defender o mistério contra o milagre, adorar o incompreensível e rejeitar o absurdo, não admitindo em coisas inexplicáveis senão o necessário, tornando sã a crença, tirando as superstições de cima da religião, catando as lagartas de Deus.
Victor Hugo - 'Os Miseráveis'

As Cores na Maçonaria


O REAA pode ser definido como um sistema de aprimoramento humano, dividido em grupos e graus.
A Maçonaria Azul, é representada pelos graus Simbólicos 1, 2 e 3. Fase em que se deve exercitar a tolerância, no desbaste da Pedra Bruta.
A Maçonaria Verde, é representada pelos graus Inefáveis 4 ao 14. Que visam dar continuidade ao aprimoramento do Iniciado.
A Maçonaria Vermelha, é representada pelos graus Capitulares 15 ao 18. Graus de evolução espiritual.
A Maçonaria Negra, é representada pelos graus do Conselho de Kadosh 19 ao 30. Reflexão sobre o caminho percorrido.
A Maçonaria Branca, é representada pelos graus Administrativos 31, 32 e  33, que simbolizam a serenidade do Iniciado, que tendo percorrido todo o caminho e alcançado a espiritualidade, não almeja apenas ser titular de diplomas nem portador de insígnias. Mas fazer parte pelo pensamento e pela ação dos que se encontram no caminho da Verdade.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Bode



Dentro da organização maçônica, muitos desconhecem o apelido de bode. A origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber do seu significado temos necessidade de voltar no tempo. 

Por volta do III ano d.C. vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região. 

Procurando saber o porquê daquele monologo foi difícil obter resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação aquele fato. 

Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia, foi informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros. 
Fazia parte da cultura daquele povo, contar a alguém da sua confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas, ficaria mais aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema. Mas por que bode? Quis saber Paulo. O por que do bode ser confidente. Como o bode nada fala, o confesso fica ainda mais seguro de que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino. 

A Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor - nesse ponto a história não conta se foi o Apóstolo que levou a idéia aos seus superiores da Igreja, o certo é que ela faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio, 0 povo passou a contar as suas faltas.

Voltemos em 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos 18 Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas as instituições que não governo ou Igreja. 

Assim a Maçonaria que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados; proibida de se reunir. Porém, irmãos de fibra na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições. Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons. Chegando a ponto de um dos inquisidores dizer a seguinte frase a seu superior: - "Senhor este pessoal (Maçons) parece BODE, por mais que eu flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra". 

Assim, a partir desta frase, todos os Maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação: "BODE" - aquele que não fala, sabe guardar segredo.
Jose Castellani

A Contagem dos Pães


Dois homens que viajavam juntos sentaram-se à beira da estrada, para comer. Um tinha cinco pães, e o outro três. Quando colocaram diante de si a comida, passou por ali um homem e os cumprimentou. Eles o convidaram:

— Senta-te para comer conosco.

Ele se sentou e comeu com eles, consumindo-se durante a refeição os oito pães. O homem então se levantou e lhes deu oito moedas de prata, dizendo:

— Recebam este pagamento pela comida que me deram. E continuou seu caminho.

Os dois companheiros discutiram sobre o modo de dividir entre si as moedas. O dono dos cinco pães dizia:

— Para mim são cinco moedas, e para ti três, pois isto corresponde ao número de pães que cada um de nós tinha.

— Só me conformarei com a divisão das moedas em partes iguais, pois ele recompensou a nossa hospitalidade, que tem o mesmo valor.

Não conseguiram chegar a um acordo. Por isso levaram sua pendência ao Emir Ali ben Ali-Talib, a quem expuseram o ocorrido. O Emir disse então ao dono dos três pães:

— Teu companheiro está sendo muito condescendente, oferecendo-te três moedas, pois o pão dele era mais abundante que o teu. É melhor conformar-te com as três moedas.

— Só me conformarei com o que me cabe por direito.

— Mas, de acordo com o direito, só te cabe uma moeda, e as outras sete ao teu companheiro.

— Ele me ofereceu três moedas e não me conformei, e agora me afirmas que o direito me confere uma só moeda! Explica-me por que só tenho direito a isso, e só então o aceitarei. Ali-Talib então explicou:

— Eram três pessoas, e não é possível saber quem comeu mais e quem comeu menos. Portanto, temos de supor que todos comeram quantidades iguais. Os pães comidos eram oito, que perfazem vinte e quatro terços.
Cada um, portanto, comeu oito terços.

Os teus três pães representavam nove terços, e deles comeste oito. O teu companheiro comeu oito terços e tinha quinze. Portanto, dos oito terços que o convidado comeu, sete eram do teu amigo, e apenas um era teu. Daí resulta que te cabe apenas uma moeda, e as outras sete ao teu amigo.

— Agora eu concordo. Nada como o que é justo!

Ben Al-Sayi

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sociedade do bode preto



Baseando-se na interpretação dada pelos antigos ao Pentagrama invertido, ou seja,  a estrela de cinco pontas com dois vértices virados para cima, os escritores anti-maçons despejaram sua maldade, sua ironia, sua infâmia contra a Maçonaria.
Na Estrela de Cinco Pontas com um só vértice virado para cima, poderemos inscrever dentro dela, um homem com os braços estendidos horizontalmente e as pernas abertas. Já, com duas pontas viradas para cima, os antigos inscreviam a cabeça de um bode, que atualmente é símbolo de animalidade ou satanismo.
Não resta a menor dúvida que o bode preto corresponde ao Baphomet que era um ídolo dos templários. Era de origem desconhecida. Usava barba branca e em vez de olhos, dois carbúnculos. Baphomet também representava o Demônio na Magia Negra e em certas áreas do ocultismo. Era carregado em procissão sob um dossel pelos templários da Ilha de Malta, onde viveram os últimos remanescentes dessa Ordem, após sua destruição. Simbolizava também para eles, boa colheita. Para os gnósticos, o Baphomet era um símbolo de Deus.
Como se pode observar, havia várias interpretações a respeito deste símbolo. Atualmente, sem que faça parte da Maçonaria, sem que signifique alguma coisa para os maçons, acabou sendo aceito como “piada”, fazendo o bode preto parte do anedotário ou ”folclore” maçônico, situação esta que foi criada pelos inimigos da Ordem, que continuam com seus ataques como se a Maçonaria fosse “uma seita do demônio”.